São tantas as ideias, desenhos, projetos, tecidos e aviamentos que tenho em stock no atelier e, principalmente, em stock na minha cabeça, que muitas vezes tenho dificuldade de organizar-me com os meus próprios pensamentos. Juntem a isso uma balança de gema e uma perfecionista nata e… baaaam!

Alguns projetos não faço porque ficam a marinar ad aeternum à espera de se aprimorarem (sério, Susana?), outros porque o Mundo não acompanha em produção, aquilo que a minha cabeça idealiza e outros tantos porque, felizmente, não sobra tempo para mim – o nosso foco são as clientes primeiro, óbvio!

Mas às vezes, só às vezes, faço um esforço por me incluir nos meus próprios planos.

Assim foi no passado dia 7 de outubro, dia do meu aniversário que já toda a gente sabe que adoro 🙂 e para o qual criei um look, exatamente como faço para quem procura o nosso trabalho. Pensei nele imbuída de um espírito “fim da macacada” – numa referência direta à estampa do tecido mikado de seda, mas também com um sentimento de fim de ciclo pelo qual me tenho sentido dominada, não sabendo ainda bem o quê, quando e como isso se materializará na minha vida, daqui em diante. Diz que há por aí umas conjugações cósmicas fortíssimas a acontecer – crentes ou não, que las hay, las hay… alguém mais a sentir o mesmo?

Astrologias, cartomancias e adivinhações à parte, o conjunto de calça larga, vincada e naquele comprimento “a fugir à polícia” que eu gosto, tinha cintura e cós alto, e foi combinada com um mini-blazer de gola e bandas largas, manga ¾, e detalhe em bico na bainha à frente, ambos com aplicação de botões com cristais de vidro branco ficou, sem falsas modéstias, um espetáculo! Rezam as más línguas no atelier que eu sou a cliente mais chata de todas (confere!), mas no final, todas sem exceção, ficámos orgulhosas com o resultado! E o melhor de tudo, ponto no qual insisto sempre com as nossas clientes, ficou a coisa mais confortável à face da Terra!

A felicidade estampada num fato, e na cara 🙂

O dia, esse, foi tão incrível que não tive tempo para o momento de introspeção e balanço que tento fazer no (meu) ano novo, mas querem saber? Fui de tal forma inundada de amor e mimo ao longo destes dias (sim, ainda estou a vapores, obrigada de ❤ a todos os que tiraram uns minutos do vosso precioso tempo para mim), que mesmo continuando a sentir que algo está para acontecer – a fazer figas para que seja em bom! – as resoluções da minha recém-inaugurada nova volta em torno do sol são, “simplesmente”, estar mais: mais presente, mais consciente, mais consistente.

E-S-T-A-R. Em pleno. A consciência da finitude lembra-nos que a vida é demasiado curta para deixar os projetos a marinar à espera de nascerem perfeitos. E só por causa disso, vou ali fazer uma blusa nova para mim (com um algodão com seda, que tenho guardado “só” há 4 anos).